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Política

MAC#114 quer ser a voz dos jovens

Um grupo de jovens licenciados e desempregados, da Praia, decidiu criar o MAC114#, para despertar a juventude para as questões a afectam no seu dia-a-dia. Como fazer isso? Abordando, primeiramente, “os universitários que engrossam a cada dia a estatística dos desempregados”. E com isso obter um “movimento” cívico que ninguém poderá ignorar.
A ideia da criação do MAC114#, assim se chama o Movimento de Acção Cívica, surgiu depois de uma troca de ideias, na internet, entre um grupo de jovens da cidade da Praia com problemas e preocupações comuns. Desde logo o desemprego e a falta de perspectivas em relação ao futuro.
Um primeiro passo, destinado a dar existência social ao grupo, passou pela realização de um “protesto silencioso” no passado dia 20 de Janeiro, em frente ao memorial Amílcar Cabral, mostrando-se os seus organizadores indignados com os problemas que afectam os jovens e o próprio país.
É certo que apenas uma dezena de jovens apareceu ao referido acto de protesto e são eles, precisamente, que, longe de desistir, diante dos resultados, decidiram levar avante a ideia do MAC#114. De acordo com um dos seus membros, o grupo quer criar um “núcleo de pressão”, para com isso denunciar e chamar a atenção da juventude para questões políticas, criando com isso uma “consciência cívica” junto desse segmento da sociedade cabo-verdiana. Esse núcleo é formado por recéns licenciados, estudantes e desempregados que já começaram a andar pelas universidades a mobilizar mais membros para o projecto.
“Percebemos que poucos jovens se agregam a este tipo de ideias. E, como existe pouca disponibilidade para movimentos do tipo, cabe a nós chegar junto dos demais jovens”, explicou ao A NAÇÃO Rony Moreira, sociólogo e porta-voz do MAC114#. “De momento, a nossa meta é passar a nossa mensagem aos jovens universitários, através de encontros e conversas informais”, acrescenta.
Na verdade, passada a fase embrionária, o grupo quer exercer pressão político-social em Cabo Verde, através de vários tipos de intervenção. Estes poderão, inclusive, passar por protestos como o do último 20 de Janeiro, dia dos heróis nacionais.
FALTA DE CORAGEM
Para os responsáveis do MAC#114, fazer com que mais jovens adiram ao movimento passa por não se esconder por detrás de denúncias anónimas; pelo contrário, passa, acima de tudo, por organizar protestos, sair à rua e mostrar claramente o descontentamento existente entre os jovens, desafio que, à partida, não é nada fácil. “Primeiro, porque em Cabo Verde não existe o hábito de manifestações cívicas, as pessoas têm receio e medo de dar a cara com assuntos relacionados com a crítica. E, segundo, porque também falta alguma organização entre aqueles que querem mostrar que estão insatisfeitos com o actual estado das coisas”, refere Moreira.
Para superar esse tipo de constrangimento, a actuação principal do grupo tem sido nas escolas de ensino superior. A envolvência de estudantes ou de quadros universitários, para o grupo, é fundamental para conseguir a abordagem e as mudanças necessárias. “Temos quadros preparados para criticarem”, afirma Liana Gonçalves, outro elemento do MAC114#.
Para Liana, já é chegada a hora de jovens como ela arregaçarem as mangas e irem à luta, questionar os poderes instituídos e não ficar sentado o tempo todo à espera do conhecido “padrinho” para conseguir o necessário empurrão para o primeiro emprego, por exemplo. “A maioria dos jovens não reivindica porque está na expectativa, à espera de cunha, da ‘apadrinhagem’. O facto é que muitos estão na fila, à espera que o padrinho ou o tio ajudem a resolver o seu problema mais imediato, como o primeiro emprego, por exemplo”.
“A intenção é fazer com que os jovens abram os olhos”, enfatiza também Nazika Miranda. “Existe um medo inserido na nossa sociedade, mas o único medo que devem ter é a de não promover a mudança”, conclui essa integrante também do MAC114#.
O QUE É MAC#114?
Mobilização para Acção Cívica (MAC#114), assim se chama, é uma organização juvenil cuja missão é despertar nos jovens o sentido da participação nas decisões do país.
O grupo, integrado por jovens estudantes, licenciados e desempregados, reuniu-se pela primeira vez a 20 de Janeiro, num protesto silencioso. Quer sensibilizar e mobilizar as pessoas para discutirem assuntos no que tange ao desemprego, insegurança, pobreza, injustiça, desigualdade de forma mais activa possível.
Uma das formas apresentadas é a saída, em massa. Um intento que ainda está longe de alcançar, mas que o pequeno grupo quer trabalhar para mostrar que não é impossível. Os jovens inspiraram-se no artigo 114, do regimento da Assembleia Nacional, muito utilizado pelos deputados na defesa da sua “honra”.  “Queremos fazer o mesmo quando os políticos usam abusivamente o nome da juventude para os seus fins particulares”, conclui um dos jovens ouvidos por A NAÇÃO.
 

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