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Primeiras reuniões diplomáticas entre Washington e Havana começam na quarta-feira

Dias depois de ter comemorado o 56.º aniversário da entrada de Fidel Castro após o triunfo da Revolução Cubana (1959), Havana recebe na quarta-feira as primeiras conversações oficiais sobre normalização das relações diplomáticas com os Estados Unidos.
Os encontros, anunciados a 08 de janeiro pelo Departamento de Estado norte-americano, serão conduzidos pela secretária de Estado adjunta para a América Latina, Roberta Jacobson.
“A secretária de Estado adjunta Roberta Jacobson irá deslocar-se à capital cubana nos dias 21 e 22 de janeiro” para negociações, indicou, na altura, a porta-voz da diplomacia norte-americana, Jennifer Psaki.
Na mesma ocasião, a porta-voz precisou que estes encontros pretendem “iniciar uma discussão com o governo cubano sobre a normalização das relações diplomáticas”.
Será a primeira missão norte-americana de alto nível diplomático a visitar a Cuba castrista.
Estas conversações surgem depois de o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e o Presidente de Cuba, Raul Castro, terem anunciado, a 17 de dezembro de 2014, uma aproximação histórica entre os dois países, que estão separados unicamente pelos 150 quilómetros do Estreito da Florida e que não têm relações diplomáticas oficiais há mais de meio século.
O embargo económico, comercial e financeiro contra Cuba foi imposto pelos Estados Unidos em 1962, depois do fracasso da invasão da ilha para tentar derrubar o regime de Fidel Castro em 1961, que ficou conhecido como o episódio da Baía dos Porcos.
As reuniões na capital cubana vão ser os primeiros encontros oficiais após 18 meses de negociações secretas entre Washington e Havana, sob a égide do Vaticano e do Canadá.
Os governos devem discutir, nomeadamente, a abertura de embaixadas e as questões adjacentes como operações, pessoal e a emissão de vistos para o corpo diplomático. Os dois países são representados atualmente por secções de interesses.
Na quinta-feira, o local dos encontros, que será determinado pelas autoridades cubanas, ainda não tinha sido definido. Nesse mesmo dia, o Departamento de Estado norte-americano informou que Roberta Jacobson dará em Havana uma conferência de imprensa na sexta-feira, após a conclusão das conversações.
Estas conversações vão ser realizadas à margem das reuniões semestrais que os dois países têm regularmente sobre questões de migração, esclareceu, também a 08 de janeiro, a porta-voz da diplomacia norte-americana.
Após o anúncio de dezembro, Havana e Washington têm dado sinais de progresso neste processo de normalização.
Um desses casos foi a libertação pelo regime cubano dos 53 presos que eram considerados como prisioneiros políticos pelos Estados Unidos.
Fontes da dissidência interna indicaram, porém, que 14 dos 53 presos já tinham sido libertados antes do anúncio do restabelecimento das relações diplomáticas.
Ainda na semana passada, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciou que algumas das restrições que visavam Cuba iam ser aliviadas, nomeadamente os requisitos para os norte-americanos que queiram viajar para Cuba e os limites da exportação para a ilha de equipamentos de telecomunicações e informáticos.
Washington também decidiu aumentar o valor de bens que podem sair da ilha para os Estados Unidos e a quantidade de remessas em moeda estrangeira que podem ser enviadas para Cuba por familiares ou organizações religiosas, humanitárias ou grupos com fins educacionais.
Estas medidas avançam apesar de o embargo económico norte-americano continuar em vigor, uma vez que só pode ser revogado pelo Congresso norte-americano, dominado pelo Partido Republicano desde as eleições intercalares de novembro último.
O processo de normalização das relações entre Washington e Havana foi saudado a nível internacional, da China à Europa, passando pela América Latina.
No Vaticano, um dos obreiros deste processo, o papa Francisco saudou o fim do “silêncio recíproco” entre Estados Unidos e Cuba, afirmando que os dois países eram o exemplo de como o diálogo “pode verdadeiramente edificar e construir pontes”.
A nível interno, nos Estados Unidos, vários legisladores, democratas e republicanos, lamentaram a decisão da administração Obama, prometendo resistir no Congresso ao levantamento do embargo.
Uma dessas vozes é Marco Rubio, senador republicano da Florida, onde vivem muitos exilados cubanos hostis ao regime de Raul Castro.
Rubio considerou o acordo estabelecido por Obama como “ingénuo” e “inexplicável”, afirmando, em dezembro, que a Casa Branca “tinha cedido tudo, mas que tinha obtido pouco”.
Ainda na Florida, em Miami, muitos cubanos reagiram com consternação e raiva, qualificando o processo como uma “traição”.
Fonte: Lusa

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