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Política

Política económica de Cabo Verde está num momento de inflexão – Governo

A política económica de Cabo Verde está num momento de inflexão, afirmou esta segunda-feira a ministra das Finanças, considerando que será confrontada com desafios para melhorar a articulação entre a política orçamental e a política monetária.
“Depois de sete anos de crise, a sensação que tenho é que a política económica em Cabo Verde está num momento de inflexão. Daqui para a frente, acredito que a política orçamental, a política financeira, a política monetária, cambial, vão ser paulatinamente confrontadas com novos desafios”, sustentou Cristiana Duarte, que falava durante a tomada de posse do novo governador do Banco de Cabo Verde (BCV), João Serra.
“Acredito que o paradigma que funcionou até hoje tem os dias contados. Não me refiro ao acordo cambial, mas à gestão que temos de fazer para alimentar dentro dos parâmetros de estabilidade macroeconómica ter a perceção e sensibilidade de alimentar a economia real e todos os outros objetivos, como redução da pobreza e crescimento económico”, prosseguiu a governante.
Segundo Cristina Duarte, a articulação entre a política orçamental e a política monetária vai exigir equilibrar os desafios da economia real, como o crescimento económico, redução da pobreza, criação de emprego e preservação do poder de compra.
“Temos de ter a capacidade de equilibrar os desafios que a economia real nos coloca diariamente sobre a mesa e com os parâmetros internacionais em termos de estabilidade macroeconómica”, avançou, esperando uma boa articulação com o novo governador do BCV, para alcançar os objetivos da política económica.
Para já, a ministra das Finanças lembrou alguns mecanismos de articulação criados ainda quando Carlos Burgo era governador do BCV – saiu em agosto último, por ter esgotado os dois mandatos de cinco anos legalmente previstos -, como a comissão de articulação da estabilidade macroeconómica e o grupo de trabalho para o desenvolvimento do sistema financeiro.
“Até a data, a economia real contou com um grande mecanismo de financiamento, que foram os empréstimos concessionais, que foram canalizados para infraestruturação do país via programa de investimentos”, indicou Cristina Duarte.
A governante indicou que outros mecanismos de financiamento devem ser ativados, para que a economia real possa continuar a ser alimentada.
“É neste contexto que eu acredito que a política orçamental e a política monetária vão ser colocados novos desafios, novos paradigmas, eu diria até de natureza conceptual”, frisou.
Cristina Duarte destacou ainda as reformas introduzidas no sistema financeiro cabo-verdiano, como a introdução de uma nova Lei de Base do Sistema financeiro, uma nova lei-quadro para as instituições bancárias e parabancárias e um novo código de mercado dos valores mobiliários.
A ministra diz que agora o Governo tem pela frente um “extenso trabalho” de regulamentação dos três diplomas, onde alguns aspetos têm de ser acautelados com “maior urgência e celeridade”.
Quanto ao BCV, espera que continua a funcionar com níveis superiores de eficiência organizativa para níveis superiores de sustentabilidade financeira.
Fonte: Lusa

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