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Sociedade

Palmarejo: Um bairro nobre sem espaços de lazer

Palmarejo é tido como um dos bairros nobres da cidade da Praia. Surgiu com a expansão urbana dos finais dos anos noventa, com edifícios altos, ruas largas, estabelecimentos de comércio, ensino, etc., mas há coisas básicas que foram claramente negligenciadas. A única praça existente está longe de merecer o nome, transformada que está numa “sucupira” a céu aberto. Os jovens reclamam da inexistência de um campo para praticar desporto. Enfim, são inúmeras as reclamações que a Câmara Municipal diz querer resolver, aos poucos, mas que lhe faltam recursos para isso. O tempo passa e já há quem esteja cansado de esperar pela concretização de velhas promessas.
Palmarejo é, hoje em dia, um dos cartões postais da cidade da Praia. É claramente o espelho da expansão urbana que tomou conta da capital nos últimos 20 anos, para a satisfação da classe média. A par de estabelecimentos de ensino (“Abílio Duarte”, “13 de Janeiro”), não faltam lojas de comércio, edifícios onde habitam milhares de cidadãos, que, todos os dias, se vêem confrontados com problemas vários, alguns dos quais básicos.
Suzano Carvalho, um dos moradores do Palmarejo, salienta que um bairro como esse deveria ter infra-estruturas públicas de lazer e desporto, por exemplo. O terreno baldio destinado a um campo de futebol, com relvado sintético, continua a ser um areal que, só com muito favor, pode ser considerado uma infra-estrutura desportiva.
“É vergonhoso o estado do campo e da praça de Palmarejo”, aponta aquele munícipe. “Com a queda das chuvas no ano passado o campo ficou em péssimas condições para a prática de futebol, dado que está cheio de pedras. Há três anos lançaram a primeira pedra para a construção de um complexo desportivo com campo relvado mas até hoje não se fez absolutamente nada”.
Suzano diz que os moradores estão atentos e disponível para dar o sua colaboração lá onde for chamada. “Já fizeram várias promessas e projectos para este espaço. Mas queremos que fique bem claro que não vamos permitir que façam nenhuma outra infra-estrutura aqui que não seja um campo de futebol. Porque, no Palmarejo, já temos betão suficiente”, avisa.
Por seu turno, a jovem Clarisse Tavares defende também que o Palmarejo precisa ter espaços desportivos apropriados, de forma a que os seus moradores possam praticar esse tipo de actividade. “Infelizmente, aqui ainda não há nada disso, isto num bairro tido como nobre. A situação da praça é simplesmente vergonhosa, está transformada numa ‘sucupira’. Mesmo situada à frente da esquadra da Polícia, é um lugar inseguro, dada a fraca iluminação, o que leva os bandidos a aproveitarem-se da situação para assaltar quem por lá se aventura. Temos pedaços de ferros que são deixados pelos vendedores, com risco de ferimentos nas pessoas, nomeadamente crianças, que aproveitam a tarde para tomar um fresco no local”.
Marli Baptista diz que vive no Palmarejo há 31 anos, e que, portanto, pôde ver como esta antiga achada foi evoluindo para ser o que hoje é, “com prédios e mais prédios”. “Só que se esqueceram de espaços para divertimento e convivo social das famílias, do lazer dos jovens, o que é lamentável”.
Uma das críticas desta munícipe vai também “aquele espaço” que “todo mundo” chama de praça mas que não merece tal denominação “Não temos um lugar público em condições para sentarmos e conversar, ou passear com os nossos filhos. Apesar de aqui viverem milhares de pessoas, com poder de compra, no Palmarejo, não há sequer um parque infantil”.
Uma outra situação preocupante, no entender de Marli, é a rua da escola do ensino básico que ostenta nome de 13 de Janeiro. “A rua da única escola primária, para além de ser de terra batida, quando chove, parece uma piscina e a água, por vezes, perdura vários dias e as crianças têm dificuldade de entrar na sala de aula, o que acaba também para constituir um foco de mosquitos”.
Câmara com novos projectos
Ao A NAÇÃO o vereador das infra-estruturas da Praia, Alberto Melo, disse que a Câmara Municipal (CMP) já lançou dois concursos para reabilitação da praça do Palmarejo, mas sem sucesso.
“Infelizmente, a culpa pela situação actual não é só da nossa responsabilidade, os promotores não tiveram a capacidade para avançar com os projectos devido à crise financeira internacional que assola Cabo Verde. No entanto, neste momento, estamos em negociação com um novo promotor para um novo projecto da praça do Palmarejo que terá várias valências, parque de diversão, restauração, etc. A nossa ideia é que o local seja para lazer e contemplação. Trata-se de um projecto menos ambicioso, capaz de ser executado dado acarreta menos investimentos”.
 
De referir que, em 2009, foi aprovado por unanimidade, na Assembleia Municipal, um projecto de reabilitação da referida praça. O projecto contemplava espaço para desenvolvimento de diversas actividades, entre as quais de lazer, culturais, mobilização de empreendimentos, parque de estacionamento e escritórios. Mas isso não foi avante dada a incapacidade financeira da empresa que ganhou o concurso na altura.

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